sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

El Calafate

Buenas, agora que voltei a vida vou escrever um pouco sobre os últimos três dias. Dia 31 saí de Puerto Natales e fui até o Parque Torres Del Paine. Os 20 km´s inicias com estrada pavimentada. Entao peguei uma estrada de chao que passa na Cueva del Milodon. Uma caverna, até que bem grande, onde foram encontradoa vestígios desse "ursao vegetariano". Seguindo, entrei no parque, na portaria fiquei mais leve em 15.000 pesos chilenos. Antes da entrada conversei com um casal brasileiro em uma pick-up que estavam fazendo o mesmo que eu, Floripa-Ushuaia-Floripa. Já no parque fui até o Lago Grey para ver o Glaciar de mesmo nome. Dei uma grande caminhada até um mirante para ver melhor o dito cujo. O caso é que ele ficava meio longe. Até tem um passeio de barco que chega perto do Glaciar, mas nao estava a fim de vender a bicicleta pra conseguir pagar este passeio!! Depois voltei uns 18 km´s pela mesma estrada para ir a um dos camping dentro do parque. Olha, pela primeira vez na viagem usei a Vovozinha (coroa pequena). Tinha umas morrebas fortes. O visual....bah o visual, nem te conto!! Do caralho elevado a vigésima potência!!! Esse parque é lugar pra se ficar por mais de uma semana e percorrer todas as trilhas que nele existem. Chegando ao camping (Pehoé), armei meu chalé de nylon. Estava até com saudades dele. Conversei com um casal de colombianos, tb em bici e trocamos algumas dicas sobre os km´s vindouros, uma vez que nossos sentidos eram opostos.
Dia primeiro dei uma vagabundeada e só saí lá pelas 9:45, com a intençao de chegar até o passo de fronteira Chile-Argentina. Saindo do camping foram uns 90 km´s de estrada de chao. Por vezes tu se pergunta o que os veados fazem com aqueles 15000 que se paga pra entrar no parque, pois a estrada é realmente terrível em alguns trechos. Um rebite que prende o alforje no suporte de plástico onde ficam as presilhas para fixar no bagageiro se rompeu. Amarrei com um extensor para diminuir o esforço nos outros 3 rebites restantes. Ao menos isso já arrumei aqui em Calafate. Bom, acabei chegando no passo de fronteira. Como a estrada mudava de direçao alguns km´s depois, ficando com o vento favorável, decidi tocar. Comprei algumas coisas pra comer em Cerro Castillo, antes das fronteiras. Depois da aduana argentina, a estrada estava asfaltada e o vento ajudando. Foi que é uma beleza, velocidades pra mais de 40 na tranquilidade...rsrsrs. Chegando no trevo onde havia um posto de combustível, um posto policial e uma unidade do departamento de Vialidade tratei de arrumar um lugar pra dormir. Um tiozinho disse que eu poderia me instalar nos fundos de uma garagem. Acabei nem montando a barraca. Me arrependi, nao pelo frio, mas por causa de um inseto que ficou me torrando a paciência a noite toda batendo as asas no capuz do meu saco de dormir. O posto de combustível, com que eu contava para comprar alguns mantimentos estava fechado.
Dia dois a alvorada foi cedo, pois sabia que seria um dia difícil, só nao imaginava que tanto!!! Saindo de onde estava, voltei a estrada de chao por mais 60 km. Dessa vez me obriguei a baixar bastante a pressao dos pneus, pois a estrada estava um lixo. A bicicleta estava quase se liquefazendo!!! O brabo que ai a atençao deve ser redobrada para que nao se passe sobre pedras que possam morder a camara no aro! Depois desses 60 km´s ai a coisa ficou boa, e ficou ruim! Boa pois voltei ao asfalto, ruim por que a estrada mudava de direçao e o vento estava forte, bem forte, e teria ainda mais 100 km´s pela frente! Por alguns momentos pensei que ia ser a mesma coisa que lá em Punta Arenas, onde fui obrigado a capitular. No final consegui chegar em El Calafate, mas nao sem antes passar por um apuro. Faltando uns 30 km para chegar a cidade eu já nao tinha mais comida alguma. Tinha acabado de tomar duas canecas de leite (em pó) e só me restava uma caneca de água. Bom, a pouca água foi cagada logística minha mesmo! Já a comida foi por causa daquele posto fechado no dia anterior. Já estava virado num bagaço também por conta do esforço para vencer o vento. Sentei no quadro, repousei a cabeça na bolsa de guidon e fiquei assim um bom tempo. Algum tempo depois, só ouvi aquele barulho de pneus no cascalho e uma voz me chamando! Dois ciclistas argentinos em um tandem! Foi a salvaçao da lavoura...rsrsrs. Me deram um pacote de biscoito, uma banana e uma garrafa d`água. Gente boa!! Me falaram que por vezes passaram pela mesma situaçao que eu estava passando. Depois disso deu pra encarar os 30 km´s finais até aqui.
Aqui em El Calafate fico hoje e amanha tb, pois aqui é obrigatória a visita ao Glaciar Perito Moreno. Esse é baita!!!
Tenho tb de fazer algumas coisas na bike. Trocar a corrente e trocar um raio traseiro. Pois é, mesmo sendo raios DT Swiss, um nao aguentou o tranco. Acho que porque andei muito tempo em estrada de chao ruim com pressao dos pneus muito alta.
Era isso. Em seguida vao algumas fotos. Abraços.

3 comentários:

joaonegao disse...

ahhh!!!
hj vi uma frase em espanhol que me lembrou vc, então tooooma:
“Algunos sueñan con alcanzar grandes logros, otros se mantienen despiertos, se esfuerzan y los hacen posible”
TOKA LO PAU

Tathi disse...

rsss Sem comentários!

Hoje fui ao Uruguay!
Amanha estou indo embora pra casa! A viagem minha acabou!

Bj

Anônimo disse...

Oi Ricardo
Tô de volta ao ninho, o Rio estava lindo e por sorte sem chuvas.Tudo foi maravilhoso, só meus pés que não estavam mais acostumados a andar tanto.Feliz ano novo! Não falar as vezes não é bom, por que se você me tivesse falado como eram teus planos,eu tenho alguns mapas do Chile, bem desta região, pois sou apaixonada por esta parte do mundo, e como professora de Geografia sempre compro mapas.Estou adorando te acompanhar, as fotos estão lindas. Com tua mãe esta desconectada e leio para ela as tuas news. Ela agora não esta tão só pois emprestei o meu filho amarelo para ela. Muita sorte e que teu sonho seja perfeito.
Beijos
Sílvia Maria.